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sábado, 10 de maio de 2008

Mais Sensibilidade nos 4 R’s !!!

Os 4 R’s (Reutilizar, Retornar, Reciclar e Reduzir), são as bases do movimento ambientalista. O prezado leitor, é um cidadão sensível aos 4 R’s reutilizar, retornar, reciclar e reduzir? Então sua postura é ambientalmente correta em relação aos materiais que descarta diariamente? Já parou para pensar nisso? Estou fazendo essas perguntas porque acho necessário estarmos e permanecermos sensibilizados em relação ao que fazemos todos os dias para com a natureza e nisso se enquadra perfeitamente na teoria dos 4 R’s (reutilizar, retornar, reciclar e reduzir) Ter uma atitude correta e cobrar de todos (sem exceção), uma postura ambientalmente correta é a obrigação, afinal, você é um cidadão do mundo e suas ações repercutem na sua vida e na vida dos demais habitantes do Planeta Terra. Digamos que cuidar da natureza é um dever, pois só assim, conseguiremos reverter o que vem ocorrendo com o meio ambiente.O conceito dos 4 R’s (reutilizar, retornar, reciclar e reduzir) – deveria estar presente no currículo escolar de todos os alunos. Educar as crianças é mais eficaz, elas se sensibilizam quando aprendem e criam um ambiente prático em suas casas. A teoria, a criança aprende na escola, mas é preciso colocar em prática em suas casas. Se necessário for, chamar a atenção dos pais e irmãos para algo que esteja fora do que aprendeu em sala de aula. Agora, para as gerações atuais, deveriam haver campanhas de sensibilização e, claro, o governo deveria ser o agente de mudanças nesse processo, apoiando e incentivando negócios relacionados às áreas que envolvessem os 4 R’s (reutilizar, retornar, reciclar e reduzir), nas aulas de educação ambiental.Temos que disseminar a filosofia ambiental dos 4 R’s (reutilizar, retornar, reciclar e reduzir), mostrando seus benefícios em contrapartida dos malefícios, quando não existe essa filosofia.Um exemplo simples do que estou falando pode começar, hoje mesmo, em sua residência, se você tiver uma embalagem vazia. Ela pode ser reutilizada para armazenar qualquer outro objeto e, até mesmo alimento, dependendo do caso. Na pior das hipóteses ela pode voltar para a indústria e ser reciclada. Outro exemplo de postura ambientalmente correta começa no supermercado, quando você for comprar cervejas e refrigerantes. Dê preferência para as garrafas retornáveis, assim você estará contribuindo com o meio ambiente. Há países da Europa que já discutem a proibição na venda de refrigerantes e cervejas que tenham embalagens descartáveis. Agora, se acaso comprar as conhecidas cervejas de "latinha", faça a coleta seletiva das mesmas. O alumínio é um material valorizado e o Brasil é o campeão mundial de reciclagem de alumínio. A cada quilo de alumínio reciclado, cinco quilos de bauxita (minério com qual se produz o alumínio) são poupados. A fim de se reciclar uma tonelada de alumínio, gasta-se somente 5% de energia que seria necessária para se produzir a mesma quantidade de alumínio primário, ou seja, a reciclagem de alumínio proporciona uma economia de 95% de energia elétrica. Uma lata de alumínio pode ser reciclada inúmeras vezes. Não há limites. Mas jogada no lixo, ela não se corrói nunca. A reciclagem de uma única latinha de alumínio economiza energia suficiente para manter um aparelho de TV ligado durante três horas. Poderíamos citar muitos outros exemplos que sinalizam a passagem do modelo linear, mecanicista, e cartesiano competitivo para o modelo cíclico, holístico e solidário fundamentado em valores humanos. O vidro é um produto interessante para a reciclagem, pois ele não sofre alteração de sabor, odor, cor ou qualidade e é reciclável 100%. Sim, exatamente isso : Os vidros são 100% recicláveis. 1kg de caquinhos é igual a 1 kg de vidro novo. 1000 kg de vidro evita a extração de 1300 kg de areia, mas se for jogado no meio ambiente levará mais de 4000 mil anos para se decompor.Reciclar vidro economiza 25% da energia necessária para fabricá-lo. A energia economizada com a reciclagem de uma única garrafa de vidro dá para manter acesa uma lâmpada de 100 watts por 4 horas. O vidro é 100% e infinitamente recicláveis. Isso quer dizer que todos os recipientes de vidro, mesmo os quebrados, podem ser transformados em novos produtos. Para fazer 1,0kg de vidro é preciso 1,3kg de matéria-prima (sílica, areia, feldspato, barrilha e outros) ou 1,0kg de caco de vidro reciclado. Quanto ao plástico, 1000 kg de plástico evita a extração de milhares de litros de petróleo evita. No meio ambiente leva 200 a 450 anos para se decompor. Plásticos reciclados servem para fazer brinquedos, sacos, mangueiras, etc.Já no caso dos papéis, vamos lembrar das folhas de sulfite que você descarta diariamente. Já pensou em reutilizá-las no verso como rascunho? E depois de utilizá-las dos dois lados, sempre que possível devemos imprimir as folhas A4 de ambos os lados. Acondicioná-las de forma correta, mantendo-as secas e limpas para a reciclagem? Para a fabricação de 1 tonelada de papel com fibras virgens são necessários 800 kg de celulose, que corresponde a 42 árvores. O brasileiro consome apenas 36 kg/ano. Mesmo assim são necessárias 240 milhões de árvores para suprir o consumo nacional de papel. Cada 50 kg de papel reciclado poupa o corte de uma árvore. Passe a pensar, para encerrar esse recado ambiental, vou reafirmar quatro palavras que devem estar presentes em nosso dicionário diário: 4 R’s (reutilizar, retornar, reciclar e reduzir materiais e energia) . O aço também pode ser reciclado com enormes vantagens ambientais e energéticas. Na antigüidade, os soldados romanos recolhiam espadas, facas e escudos abandonados nos campos de batalha e os encaminhavam para a fabricação de novas armas. Se o País reciclasse todas as latas de aço que consome, seria possível evitar a retirada de 900 mil toneladas de minério de ferro por ano economizaria energia equivalente ao consumo de quatro bilhões de lâmpada de 60 watts. Afinal , temos que reduzir o consumo de energia e de Materiais. Cerca de 35% do lixo que vai para os aterros é composto por materiais que poderiam se reciclados ou reutilizados. Estas taxas só acontecem em sociedades que ainda não colocam em prática ações eficazes para a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Em países ricos, 30% da comida comprada vai para o lixo


Segundo estudos de Claudia Varejão Wallin de Estocolmo, nos EUA, famílias jogam fora cerca de meio quilo de comida por dia. Famílias de países ricos jogam no lixo cerca de 30% dos alimentos que compram, segundo um estudo apresentado na World Water Week, a conferência mundial sobre água que ocorreu em 17 de Agosto de 2007 em Estocolmo na Suécia. Esse desperdício coletivo significa também a perda de milhões de toneladas de água usadas para produzir os alimentos, diz o professor Jan Lundqvist, diretor do Comite Científico do Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI). De acordo com o estudo, na Suécia, considerando-se apenas as famílias com crianças pequenas, 25% da comida comprada vai parar na cesta de lixo. Nos Estados Unidos, os números mais recentes indicam que as famílias jogam fora cerca de meio quilo de comida por dia, o que equivale em media a 40% dos alimentos. Na Grã-Bretanha, o desperdício é estimado entre 30% e 40%, num prejuízo avaliado em 20 bilhões de libras (cerca de R$ 82 bilhões) por ano.
"Comida é água"
"É preciso compreender que comida é água", afirma Lundqvist. "Nós bebemos um ou dois litros de água por dia, mas 'comemos' toneladas de água todos os dias." Segundo ele, a produção de um quilo de carne, por exemplo, exige de 10 a 15 toneladas de água. Para um quilo de arroz, são necessárias de uma a duas toneladas de água - ou mais, dependendo da região de cultivo. Comer um prato de bife com batatas fritas significa "beber" de 1,5 a 2 toneladas de água, ou seja, a água usada para produzir esta porção de comida, diz o pesquisador. O desperdício de alimentos e água ocorre tanto no mundo desenvolvido como nos países em desenvolvimento, afirma o cientista sueco. Mas, segundo ele, há uma distinção básica. "Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, o problema do desperdício está mais concentrado no campo, com uma taxa média de 30% de perdas relacionadas ao armazenamento e transporte dos alimentos, especialmente nos países de clima mais quente e úmido. Na Europa e nos EUA, técnicas e mão-de-obra especializadas significam que o problema maior não está no campo, e sim nos lares." Conforme o cientista, considerando-se o total jogado fora por consumidores, restaurantes e supermercados dos países ricos, assim como as perdas na cadeia de produção, a proporção do desperdício de alimentos no mundo desenvolvido é calculada entre 30% e 50%.
"Mudança de valores"
Ao ser questionado sobre o motivo desse desperdício, Lundqvist afirma que "é uma conjunção de fatores, que representa também uma mudança de valores em relação aos alimentos". "Na nossa parte do mundo, ficou barato comprar comida. Os preços caíram, o poder de consumo aumentou. Os subsídios à agricultura significam que o preço da comida nas lojas é distorcido, e não reflete a realidade. As pessoas compram mais, e se não usam, simplesmente jogam fora. Minha geração foi ensinada a não desperdiçar comida, mas houve uma mudança de percepção nesse sentido", diz ele. Segundo o cientista, outra razão do desperdício desnecessário de alimentos é a obediência cega aos rótulos dos fabricantes, que indicam na embalagem a data máxima aconselhada para o consumo. "É ridiculo", afirma. "Se passar um dia da data indicada na embalagem para o consumo do leite, por exemplo, as pessoas dizem 'oh meu Deus' e jogam o leite fora. Ora, basta cheirar o leite para saber se de fato está estragado. No caso do leite, pode-se consumir mesmo uma semana após a data indicada na embalagem. É só cheirar para verificar. Com outros alimentos é a mesma coisa: basta provar." Promoções do tipo "compre 2 e leve 3" também aumentam o volume do lixo doméstico. "As pessoas acabam comprando mais do que necessitam, e acabam jogando fora", diz o cientista. As pessoas também estão comendo demais, afirma o professor. "O mundo tem hoje 1,1 bilhão de pessoas obesas e acima do peso, de acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde. Essas pessoas comem mais do que deveriam, e muitas delas tambémm jogam muita comida fora. É preciso lembrar que há 850 milhões de pessoas subnutridas no mundo. E que é também fundamental preservar a água do planeta."

terça-feira, 6 de maio de 2008

Londres testa ônibus movidos a hidrogênio


O ônibus a hidrogênio não emite poluentes no ar. Londres, junto com outras cidades na Europa, Austrália e China, está testando ônibus movidos a hidrogênio, combustível que é visto como um dos mais promissores substitutos dos derivados do petróleo. O ônibus a hidrogênio não emite poluentes – solta apenas vapor d´água. Três ônibus movidos a hidrogênio rodam diariamente na capital britânica como parte da linha RV1, uma das que percorrem a região central da cidade. O veículo possui uma célula combustível que combina o hidrogênio com o oxigênio capturado do ar, produzindo energia elétrica e vapor d´água. É essa a energia usada pelo motor elétrico do ônibus. O projeto começou em 2004 e deveria terminar em dezembro de 2005, mas foi estendido até 2006, graças a seu bom desempenho e à necessidade de torná-lo mais conhecido da população.
Desempenho
"Os ônibus têm se mostrado muito mais confiáveis do que nós esperávamos quando o projeto começou, levando em conta que se trata de uma nova tecnologia”, diz Mike Weston, diretor de operações da TFL (Transportes para Londres), que administra o sistema de metrô e ônibus da cidade. O teste faz parte de uma iniciativa da União Européia, que co-financia os projetos das cidades. Em Londres, perto de US$ 8,5 milhões (cerca de R$ 20 milhões) serão investidos no projeto até 2006, informa a TFL, que realiza o projeto em parceria com a alemã DaimlerChrysler, que fabrica os veículos, a BP, responsável pelo abastecimento, e a BOC, que fornece o hidrogênio. Segundo Weston, os veículos quase não quebram, rodando em 90% do tempo total em que eles ficam disponíveis nas ruas. A desvantagem em relação aos ônibus a diesel é pequena, em torno de 5 pontos percentuais. O que ainda mais preocupa o responsáveis pelo projeto é que os ônibus a hidrogênio só rodam no máximo 12 horas por dia, enquanto o veículos a diesel operam de 18h a 20 h. Eles rodam menos tempo por causa de uma limitação no tanque que armazena o hidrogênio no teto do ônibus. Como é um gás pouco denso, o hidrogênio ocupa um grande espaço no tanque. Uma das soluções para isso seria usar uma bateria, que seria ligada quando o hidrogênio terminasse. A idéia é que a bateria acumule as sobras da energia gerada enquanto os veículos rodam nas ruas. Hoje esse excesso é desperdiçado. A bateria está sendo desenvolvida pela DaimlerChrysler, que fábrica os ônibus a hidrogênio.
Custo ainda elevado
Outra barreira a ser vencida é o custo dos ônibus a hidrogênio, oito a dez vezes mais caro que o veículo a diesel, que custa de US$ 170 mil a US$ 340 mil. O diretor da TFL prevê, porém, que os custos tendem a declinar acentuadamente com o aumento na produção dos veículos, igualando-se aos custos dos veículos a diesel em cinco a dez anos. Há, ainda, o desafio de tornar o hidrogênio um aliado nos esforços para reduzir as emissões de gás carbônico, considerado o principal vilão do aquecimento do planeta, que está provocando o derretimento das geleiras e alterando o clima. No entanto, nem sempre o processo de obtenção do hidrogênio – que não existe isolado na natureza – é isento de liberar dióxido de carbono na atmosfera. Enquanto em Reykjavik, capital da Islândia, o hidrogênio para os ônibus é obtido por meio de energia geotérmica e hidráulica, sem liberar carbono, Londres está usando gás natural. As moléculas do metano (CH4), que compõe 95% do gás natural, são quebradas por meio de um processo termal, para separar o hidrogênio do carbono.
Fontes renováveis
"Quando produzimos hidrogênio a partir do gás natural, conseguimos um pequeno benefício em termos de redução das emissões de gás carbônico. Gostaríamos de produzir hidrogênio a partir de recursos renováveis, como a energia eólica", diz David Hart, chefe de pesquisa em hidrogênio e célula combustível do Imperial College, de Londres. O problema, porém, admite Hart, é que obter hidrogênio a partir de energias renováveis ainda é um processo muito caro. Além disso, há dificuldades tecnológicas a serem vencidas. Diferentemente do gás natural, em que se emprega um método termal, com fontes renováveis, como o vento ou a solar, gera-se eletricidade para ativar a eletrólise da água e separar as moléculas de hidrogênio e oxigênio. “Não é um processo fácil”, diz Hart.A BOC, empresa que fornece o hidrogênio para os ônibus em Londres, diz que, além das fontes renováveis, outra opção será guardar o carbono liberado em tanques subterrâneos, quando o combustível for obtido a partir do gás natural.
Percepção pública
O assunto ainda é algo distante do público, outro motivo que levou Londres a estender por mais um ano o teste dos três ônibus. Embora eles sejam mais silenciosos e informem que são movidos a hidrogênio, muitos em Londres ainda não perceberam a diferença, mesmo que viaje diriamente nesses veículos. "Não sabia que ele era movido a hidrogênio. Você sabia? Eu não tinha notado isso", diz Wendy Hardo a sua coleta Nicola Brown, ao responderem se sabem que estão dentro de um ônibus movido a hidrogênio. Nicola parece estar um pouco melhor informada sobre o projeto. "É um ônibus elétrico. Se você está atrás do ônibus, você não recebe toda aquela fumaça. Isso é muito melhor. Fora isso, não há uma grande diferença. É tão bom quanto o ônibus convencional. De certo, ele é bom para o meio ambiente.” Ainda há um longo caminho a percorrer para que o hidrogênio se torne algo corriqueiro, como prevê o cientista David Hart. "Veremos os primeiros veículos movidos a hidrogênio chegarem ao consumidor nos próximos cinco a dez anos. Mas a mudança completa do sistema de transporte só se dará daqui a uns 50 anos, mesmo que você seja muito otimista sobre o uso do hidrogênio."

de José Alberto Gonçalves para BBC-Brasil em 23 de Dezembro de 2005

sábado, 3 de maio de 2008

Mudar matriz de energia é desafio para reduzir emissões


Mudar o padrão de consumo e a matriz energética estão entre os maiores desafios que o mundo terá de enfrentar se quiser reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa e colaboram para o aquecimento global. Atualmente, ao mesmo tempo que a produção de energias limpas deu um salto tecnológico o mundo passou a depender como nunca de fontes energéticas que lançam gases que provocam o efeito estufa na atmosfera. Estudos citados neste ano pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) da ONU afirmam que os investimentos mundiais em energias renováveis nunca foram tão altos – chegaram a US$ 38 bilhões em 2005. Ainda assim, mostram os mesmos estudos, as emissões de gases do setor energético nunca foram tão volumosas. Juntas, as emissões de gases que causam o efeito estufa equivalem a 49 bilhões de toneladas de CO2 lançadas anualmente na atmosfera. Destas, 26 bilhões de toneladas estão relacionadas à produção de energia, que inclui o fornecimento e o aquecimento de casas e empresas e o setor de transporte. Se mantidas as atuais políticas energéticas, estas emissões poderiam atingir o equivalente a 40 bilhões de toneladas até 2030, segundo os cálculos apresentados pelo IPCC.
Padrão
A dificuldade de mudar esta tendência se deve ao fato de que, atualmente, cerca de 80% da energia mundial é fornecida por fontes fósseis, como o petróleo (33%), o carvão (25%) e o gás (21%).
No caso da produção de energia elétrica, também há grande dependência de fontes fósseis. Segundo dados de 2004, os recursos energéticos mundiais combinados geraram cerca de 17,4 mil gigawatts hora (GWh) de eletricidade. O carvão respondeu por 40% desta energia elétrica, seguido pelo gás (20%).
Para piorar a situação, as duas fontes consideradas limpas que mais contribuem para a produção de eletricidade – a energia nuclear e a hidrelétrica – têm sido cada vez mais questionadas por cientistas e ambientalistas como alternativa realmente ideal. A nuclear, que responde por 16% da geração de eletricidade, traz embutidos riscos de contaminação por lixo atômico e de proliferação armamentista mundial.
A energia hidrelétrica, que também responde por 16% da produção de eletricidade, é considerada limpa e sustentável. No Brasil, responde por mais de 80% do consumo do país. Entretanto, a construção de grandes usinas causa sérios impactos sobre o meio ambiente e a ocupação do solo onde são instaladas.
Caminhos
Na opinião de especialistas, é preciso estudar todas as alternativas e não há uma resposta simples sobre como mudar a matriz energética mundial. Um exemplo é a questão nuclear. Para Richard Schock, diretor de Estudos do Conselho Mundial de Energia (WEC, sigla em inglês), essa é uma alternativa que não pode ser ignorada. "A energia nuclear terá de estar de estar disponível em todo o mundo. Em alguns lugares de alta densidade, como por exemplo o Japão, onde não existem muitas áreas para produção de energia, é de se esperar que a proporção aumente nos próximos 50 anos", diz ele, que é co-autor de um capítulo sobre o tema no relatório do IPCC. O principal desafio é desenvolver outros tipos renováveis de energia, como eólica (dos ventos), solar, de biomassa e da terra (geotérmica), que respondem por apenas 2% da matriz energética mundial.
Um levantamento da Rede para Políticas de Energias Renováveis, citado pelo IPCC, mostra que em 2005, os investimentos em energias renováveis alcançaram US$ 38 bilhões, por iniciativa principalmente de Alemanha, China, Estados Unidos, Japão e Índia. Alemanha, Espanha e Estados Unidos, por exemplo, já têm capacidades instaladas de energia eólica que alcançam respectivamente 18,4 GW, 10 GW e 9,1 GW, segundo o Conselho Mundial de Energia (WEC). Para efeito de comparação, a usina de Itaipu tem uma capacidade de 12,6 GW. Recentemente a Índia (4,4 GW) superou a Dinamarca (3,1 GW) e é um dos países que mais desenvolvem este tipo de tecnologia energética, junto com a China (que hoje tem 1,3 GW e pretende ampliar para 30 GW em 2030). Já a energia solar deve chegar a uma capacidade instalada de 5 GW até 2010, nos cálculos do WEC. Esta alternativa é vista como especialmente atraente para países emergentes que se beneficiam de luz solar abundante. Tanto a Índia como a China instalaram grandes programas de células fotovoltaicas para captar a luz solar e transformar em energia. O Brasil também é visto como um país com grandes vantagens, por seu programa de etanol à base de cana-de-açúcar e do potencial ainda existente para explorar hidreletricidade a partir de pequenas usinas.
Bolso
A energia nuclear terá de estar disponível em todo o mundo. Em lugares de alta densidade, como o Japão, é de se esperar que a proporção aumente nos próximos 50 anos. Em lugares como Brasil, Noruega e Nova Zelândia, onde há mais energia hidrelétrica, o uso será menor. Robert Schock, Conselho Mundial de Energia e cientista do IPCC Mas o próprio WEC condiciona o desenvolvimento de fontes de energia não-fósseis à redução dos custos de produção, e especialistas consideram que o incentivo passa pelo bolso. A Agência de Energia Internacional estima que os investimentos para atingir a demanda por energia até 2030 vão beirar os US$ 20 trilhões, e por isso analistas dizem que a melhor política para incentivar energias limpas é torná-las economicamente atrativas. Ao se referir às propostas de taxação das emissões de carbono, o IPCC afirmou que um preço de US$ 20 a US$ 50 por tonelada de CO2 seria capaz de transformar o setor energético e elevar a participação das fontes renováveis na matriz energética para 35% até 2030, quase o dobro do quinhão atual.
"Não temos políticas de energias suficientes nem cooperação internacional suficiente entre governos, empresas nem governos e empresas para fazer o que hoje já é possível tecnicamente. Precisamos que investidores e profissionais das finanças invistam em políticas", afirma o dr. Schock. "Mas precisamos de políticas consistentes, precisamos tomar cuidado para que investir em energias renováveis não se torne menos atraente em cinco ou dez anos. Investidores só colocarão seu dinheiro em políticas que eles acreditarem que sobreviverão."


Fonte : Pablo Uchoa de Londres para a BBC - Brasil

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Dengue 'sem controle' expõe frouxidão da saúde no Rio, The Economist


Para revista, vitória contra mosquito foi declarada antes do tempo. A revista britânica The Economist publica em sua nova edição uma reportagem sobre os casos de dengue no Rio de Janeiro, onde, segundo a revista, o mosquito e a doença se alastram "sem controle" por causa da lentidão das autoridades em enfrentar uma ameaça conhecida há pelo menos um ano. A publicação lembra que, até 1980, a dengue era relativamente rara na América Latina e a versão hemorrágica potencialmente fatal ainda menos freqüente porque autoridades de saúde haviam praticamente eliminado o mosquito Aedes aegypti, que transmite tanto a dengue como a febre amarela. "Mas a vitória foi declarada prematuramente: o compromisso e os recursos desapareceram, enquanto as cidades continuaram a crescer", diz a Economist. A revista lembra que há um ano "especialistas do ministro da Saúde para baixo" já admitiam o risco de a dengue sair de controle, mas que, desde então, teriam se perdido em um debate vazio sobre se o mosquito da dengue, e portanto a responsabilidade sobre o seu controle, é "municipal, estadual ou federal". A Economist diz que a gravidade da crise só foi reconhecida no dia 24 de março, quando, com o número de vítimas subindo, "autoridades nacionais e locais convocaram um gabinete de crise". "Infelizmente, retórica inflamada e burocracia interminável não são sintomas novos da política do corpo-a-corpo brasileira", avalia a revista. "Será preciso mais do que isso para esmagar o mosquito."

Médicos indicam modelo de Cingapura de combate à dengue


Mosquito Aedes aegypti foi erradicado do Brasil na década de 50. Os países que enfrentam epidemias de dengue, como o Brasil, poderiam adotar o modelo de combate bem sucedido implantado por Cingapura, afirmam especialistas ouvidos pela BBC Brasil na Ásia. O país do sudeste asiático tem extensa rede de saneamento básico e cobra multas que variam entre US$ 66 e US$ 13,100 (R$114 a R$22.630) dos cidadãos que deixam água parada. Equipes de controle sanitário e oficiais fiscalizam permanentemente casas e prédios públicos para exterminar focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Além disso, o país conta com um sistema computadorizado que mapeia em tempo real os pontos onde novos casos são registrados, o que permite que as rotas diárias de controle sanitário se centralizem nas áreas mais afetadas. “Cingapura tem o mais efetivo - talvez até o único realmente efetivo - sistema de controle de dengue” disse à BBC Brasil o professor Duane J. Gubler, diretor do centro de Medicina Tropical e Doenças Infecciosas da Universidade do Havaí. O especialista em doenças infecciosas de Hong Kong Dr. Lo Wing-lok concorda que o modelo de Cingapura é um bom exemplo de eficácia, pois reduziu em cerca de 78.6% os casos de contágio entre 2005 e 2006. Entre 2005 e 2006 os casos de dengue simples e hemorrágica por grupo de cem mil cidadãos caiu de 326.5 para 69.7, segundo dados do ministério da Saúde de Cingapura.
Epidemia na Ásia
Atualmente, no entanto, os países da Ásia enfrentam uma forte epidemia de dengue que tem aumentado o número de casos da doença em relação ao mesmo período do ano passado. A Tailândia registrou somente em janeiro 2.824 casos, um aumento expressivo em comparação aos 1.702 observados no mesmo período em 2007. Nos primeiros dois meses do ano, o Vietnã totalizou cerca de quatro mil vítimas de dengue, um aumento de 10% em comparação a janeiro e fevereiro do ano passado. Apesar de Cingapura ter um programa de combate a dengue considerado eficiente pelos especialistas, atualmente o país também enfrenta a mesma epidemia que afeta a região. No primeiro trimestre deste ano pelo menos 1.144 pessoas foram infectadas, segundo números do Ministério da Saúde de Cingapura. Isso está bem acima da média de 732 casos registrados no período de janeiro a março, entre 2003 e 2007.
Aquecimento global
Dr. Lo acredita que uma razão para a maior ocorrência de epidemias de dengue é o “aquecimento global”, pois as temperaturas mais altas favoreceriam a multiplicação dos mosquitos transmissores da doença. “Dengue é uma doença típica de países tropicais sub-desenvolvidos, mas nós observamos mais e mais casos em lugares ricos como Cingapura”, aponta Dr. Lo. Peter Cordingley, porta-voz do escritório regional da Organização Mundial de Saúde na Ásia também crê que o aumento do calor favorece o surgimento de epidemias de dengue.
“Temos visto a multiplicação de casos na Ásia e isso parece estar relacionado com o aquecimento global”, disse Cordingley.
Globalização
Entretanto essa teoria não é unânime entre os especialistas. O professor Gubler argumenta que ainda não há pesquisas que provem que o aumento de casos de dengue ocorre somente em decorrência da elevação da temperatura do planeta. Gubler explica que a tendência mundial é de que ocorrerão cada vez mais surtos de dengue, pois há fatores modernos que auxiliam a propagação da doença como, por exemplo, o crescimento populacional, a urbanização descontrolada e os grandes fluxos migratórios. “Dengue não tem nada a ver com aquecimento global, mas, sim, tudo a ver com globalização”, enfatizou Gubler. “Dizer que a causa é o aquecimento global é desculpa de político”, concluiu.

Marina Wentzel de Hong Kong para a BBC Brasil

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dengue é 'maldição da urbanização', diz jornal suíço Der Bund


O Rio de Janeiro vive atualmente uma epidemia de dengue. A dengue tem se tornado cada vez mais letal graças à globalização, diz o jornal suíço Der Bund, que chama a doença de “maldição da urbanização”.
A “globalização e o conseqüente aumento na mobilidade de pessoas beneficia a propagação da doença pelo mundo e também o cruzamento das quatro variantes do vírus, o que tem tornado a dengue cada vez mais letal”, diz o jornal. O jornal diz que a doença hoje é a mais transmitida por mosquitos no mundo e que “a epidemia atual no Rio de Janeiro deixa isso bem claro: os mosquitos transmissores vivem no meio da cidade”.
“Ao contrário do mosquito da malária, o da dengue vive nas cidades. Para botar seus ovos, basta uma pequena quantidade de água, geralmente em poças, baldes, pneus ou outros recipientes em lixões”. Esses “criadouros” de mosquitos são encontrados, segundo o jornal, “em particular nos bairros mais pobres, com fornecimento de água e tratamento de lixo precários”.
"Aumento notável"
Especialistas ouvidos pelo diário dizem que “houve um notável aumento, nos últimos 30 anos, do espaço vital que o mosquito transmissor da dengue, o Aedis aegypti, necessita para sobreviver”. “Toda semana recebemos relatos de cinco ou seis epidemias de dengue de algum canto do mundo”, diz ao jornal Johannes Blum, especialistas do Instituto Tropical Suíço. Blum diz que o uso de inseticida, uma das medidas tomadas pelas autoridades no Rio para lidar com a epidemia, geralmente só é adotado “em caso de emergência, como em uma grande epidemia que não pode ser controlada de outro jeito”.