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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ensaio Laboratorial Rio 2016



Os Alquimistas, depois de serem expulsos de parnaso, o lugar do paraiso onde moram os poetas, por falta de habilitação com os verbos e as rimas, foram morar lá nos Laboratórios.
O primeiro laboratório conhecido foi o fotográfico, aqueles com câmara escura e à luz vermelha, como nas boites de antigamente, as imagens se formavam da precipitação dos sais de prata. Andam escrevendo por aí, que os passadistas estão dèmodé, mas como podemos apagar o passado se vivemos nele 99,9% de nosso tempo terrestre ? Sim, é claro, o minuto passado já não é mais presente, e o futuro a Deus pertence, então somente sobra o passado como referencia real de tudo o que já aconteceu. Por alegorias, colocamos temperos inexistentes na reconstrução do passado. Sobretudo (ou de jaqueta mesmo) tentarei reconstruir uma fase de minha vida, em férias no verão de 66 no Rio de Janeiro de forma fidedigna. Era uma época gloriosa, lá na Marina da Glória e eu ganhei a minha primeira bicicleta Monarch "Rio Quatrocentão", em 65 o Rio fazia uma grande comemoração do aniversário da Cidade Maravilhosa e havia este motivo de comemoração com refris e camarões no Bar Amarelinho lá na Cinelândia, se não me engano. Meus avós e meu pai, quando chegaram da Itália, se instalaram no Botafogo, Rua Menna Barreto 46, e lá moraram muitos anos, até se mudarem para a cinzenta Curitiba, plúmbea Capital em que obtive meu diploma de engenheiro químico. Sempre gostei de Laboratórios, assim como Pasteur (aquele que inventou o processo correto de fazer o leite não coalhar, o leite pasteurizado, muito apreciado). Pasteur dizia que, a verdedeira paz da alma é encontrada dentro dos Laboratórios. Britando pedras, moendo amostras de minérios, analisando pastilhas sob os raio-x, destiladores borbulhantes com soluções coloridas, muitas vidrarias e muitos reagentes, é o mundo encantador e fascinante da Química. Mais tarde, bem mais tarde, descobrimos que a química é um braço da física, que lida com reações em baixa energia, as de alta energia estão nos domínios da Física Quântica, que são outros quinhentos kilowatts. Mas, voltando ao Rio, quando visitei o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, pude observar o Meteorito de Bedengó, achado lá na Bahia, e tinha também um módulo espacial do Projeto Gemini, que achei muito interessante, nesta época o homem sequer tinha chegado à Lua. Tempus fugit, e acabei encontrado um pequeno meteorito, metálico, do tamanho de um caroço de azeitona, fiz análises de composição com raio-x, era um meteoríto ferrífero mesmo. Coloquei num vidrinho com um algodão no fundo e mostrava o meu achado para os visitantes do meu laboratório, até que acabaram roubando o meteorito e fiquei sem a prova do achado. Também roubaram meu caderno de Álgebra Linear, ( putz !) onde havia uma dedicatória da saudosa atriz Dina Esfat, quando esteve em Curitiba em 78, com sua tourné de teatro, na peça 'Rasga Corações'. Fiquei sem a prova da dedicatória da 'Dina Esfat', um pequeno poema, entre tantos teoremas de Álgebra. Já me roubaram um monte de coisas, mas estes duas, foram as mais sentidas perdas, sem dúvidas, tinham um valor sentimental especial. Em 2016 teremos uma renovação do Rio para receber uma porção de visitantes do Brasil e do exterior. É claro que os preparativos será um sucesso, onde poderemos mostrar toda nossa capacidade de planejamento e nosso elevado padrão de engenharia construtiva. Sempre usando o 'traço certo' no concreto, e jamais pegando areias das praias para fazer construção. Na Jamaica roubaram milhões de toneladas de areia para estes fins, e acompanhando o noticiário ninguém informa nada sobre o paradeiro destas areias sumidas das praias Jamaicanas. Este assunto já rendeu bom Reggae de Bob Marley, ver 'Concrete Jungle' do álbum Soul Rebel, não está na linha do tempo, mas está na linha dos factos. Portanto, sempre lembrando que cavalo não desce escadas, nada de usar areias de praias, porque a imigração do Sódio pelos retículos cristalinos do concreto, faz aparecer rachaduras inconvenientes e desabamentos de marquises, tetos. Sempre lembrando que o Sódio não perdoa estes desvios de conduta. Quanto aos jogos olímpicos, relembrando os treinadores e atletas, que a busca incessante de novos recordes, numa função linear ao longo do tempo, é algo insano, que pode levar ao excesso de ambição junto com o uso de aditivos químicos na busca contínua de melhor performance, isso poderá estragar a festa na análise do xixi dos atletas, escolhidos aleatóriamente, isto não será problema. O caso de Ben Johnson, corredor dos 100 metros rasos, aditivado e desclassificado no Canadá, ainda cheira mal. Também os banheiros públicos, deverão ser repensados, é chato ver os turistas procurando os cantos das praças e a Floresta da Tijuca para as suas necessidades, temos cabeças pensantes no Rio para todos estes detalhes e não fazer fiasco. A química analítica, qualitativa e quantitativa, evoluiu muito nas análises de traços de moléculas, proibidas por Lei, as de uso ilegal nos desportos, como anabolisantes, enfedrina, entre muitos outros aceleradores de performance, que não são tolerados pelo COI. Estes desvios de conduta, deveriam ser penalisados com muito rigor, porque estes factos, fazem parte do pensamento Linear e Cartesiano, que precisa ser gradualmente substituído para se estabelecer uma nova Consciência Planetária, uma sociedade mais solidária e menos competitiva, uma nova filosofia de vida. Parece estranha esta colocação, tratando-se de uma Olimpíada, haja vista que é necessária uma abortagem holística, para se ter uma festa bem alegre e sem poréns desagradáveis e inconvenientes nos finalmentes. Os transportes coletivos também serão revistos, as obras do metrô serão revisadas, os antigos bondes eléctricos poderiam dar lugar aos modernos trens movidos à electro-magnetismo. Os ingleses chamam isso tudo que escrevi de 'Brainstorm', lá em Minas Gerais chamamos de 'Toró de Palpites', deveria ser o primeiro passo, antes de por a mão na massa do concreto, convidar a plêiade de intelectuais do Rio para falarem suas opiniões junto do economista Roberto Neri da FGV, que sabe das desigualdades do Rio de hoje em dia, Luiz Mário Banken, coordenador do Fórum Municipal de Orçamentos, Millôr Fernandes e o Carlos Heitor Cony, também tem boas sugestões.

Um comentário:

Jorge Purgly disse...

Olá Ernesto, tambem te visitei por aqui. Tenho um blog que estou focando no Rio 2016
http://purgly.blogspot.com
Voce vai gostar.
Um abraço,
Jorge